Ainda que acompanhassem as aventuras de Matt Dillon e Bridget Fonda em Singles, de Cameron Crowe, os quatro anos que separaram Sweet Oblivion de Dust não foram propriamente notados em tempos de abundância. Além que, entre um e outro, chegou Whiskey For The Holy Ghost, de 94, o segundo álbum a solo que Lanegan demorou uma década a superar.
Bubblegum veio com a convicção de um pregador e a urgência de um dependente, com a clemência dos justos e as súplicas dos desafortunados, para logo se tornar num gólgota privado, em que pragas e conjuras se confundem com alucinatórias e redentoras visões turvadas por nuvens de nicotina e etílicas destilações.
É como se Tom Waits não tivesse escapado ao buraco negro para o qual deslizava em finais da década de 70 e pelo caminho perdesse a habilidade de se rir de si próprio.
Lanegan, com a ajuda de PJ Harvey, Josh Homme, Nick Oliveri e a inesperada presença de dois anjos negros (Izzy e Duff, dos Guns’n’Roses), produziu um álbum como se vivesse desde sempre nos cruzamentos espirituais cantados, por exemplo, por Robert Johnson, chama a si Perséfone e Hades em “Wedding Dress” (“Would you put on that long white gown, and burn like there´s no more tomorrows?”), mas, como diz em “Hit The City” (“I´m Babylon, burned inside out”), vive ainda com o brilho das chamas.
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