Se há figuras contemporâneas que apelam à
identificação com o estereótipo de “escritor de
canções de recorte clássico”, Stephin Merritt não
é uma delas – mas imita bem. Mais Andersson &
Ulvaeus do que Lennon & McCartney e, queira um
dia esclarecer a sua posição face ao r&b, presumivelmente
mais Ashford & Simpson do que
Holland, Dozier & Holland, o mentor dos Magnetic
Fields tem, antes assim, engenho melódico a valer
por dois. Numa espécie de fusão entre Neil
Hannon e Mark Eitzel não será o último dandy
intelectual da história, nem se ficará apenas por,
com projectos paralelos como os 6ths ou os
Gothic Archies, especular sobre ao que é que soariam
os Joy Division se Ian Curtis tivesse sido
substituído por Brian Wilson – até porque o
mundo já tem na união de Elvis Costello e Burt
Bacharach amostra mais do significativa. Mas
tudo isto é retórico face ao conjunto de influências
reclamado para Holiday, começando nas bandas
satélite dos Young Marble Giants, passando pelos
OMD e acabando nos Felt. O romântico barítono da voz de Merritt é ainda assim o menos exuberante
– e o mais realista – num conjunto de arranjos
em que os excessos da synth-pop são temperados
pela elegância de um mundo acústico inesperadamente
delicado. Com frases como “Under
more stars then there are prostitutes in Thailand”,
o seu terceiro álbum contém já as ideias conceptualmente
exploradas no mais celebrado e sugestivo
– como Merritt reconheceu, mais pela quantidade
do que pela qualidade – tríptico de 1999, 69
Love Songs.
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