Mischa Barton nasceu em Janeiro de 86, as gémeas Olsen em Junho e Lindsay Lohan no mês seguinte. É um sinal dos tempos admitir que jovens de 20 anos são já celebridades à escala mundial, mas nada é tão difícil quanto imaginar um mundo em que Madonna fosse apenas tão famosa como qualquer uma delas.
Quando saiu True Blue tinha 28 anos e só geria o sucesso de Like A Virgin há dois, pelo que não havia tempo a perder: o álbum tocou em mais géneros musicais e a cantora passou por mais mudanças de visual do que viria a fazer na restante carreira. O choque foi realizá-lo com suficiente sabedoria e engenho para justificar logo aí um lugar na história. Dos latinos floreados de “La Isla Bonita” ao doo wop de “True Blue”, da rebelião rock’n’roll de “Papa Don’t Preach”, ao ambiente r&b de “Open Your Heart”, passando pela balada confessional em “Live To Tell”, quase não tinha tempo de cortar, pintar e encaracolar o cabelo para encarnar as várias personagens dos seus vídeos.
Entre o subúrbio de classe operária, um cenário dos anos 50, um bairro latino, o palco e o peep-show, quem não soubesse com quem estava a lidar pensaria que a jovem estava a queimar todos os cartuxos neste LP dedicado ao “coolest guy in the world” (Sean Penn). Pelo contrário, estava a tornar-se a cantora mais bem sucedida de todos os tempos. Para quem pense que Madonna se deveria retirar graciosamente do papel de rainha-mãe da pop, será necessário relembrar que ela até já quis passar o ceptro: mas não é qualquer Britney ou Christina que consegue ter mão no Império.
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