Os únicos temas da história dos Love com crédito colectivo foram “Mushroom Clouds”, na estreia, e “Revelation”, em Da Capo. E entre a temática do primeiro e os hesitantes 19 minutos do segundo, ficam definidos interesses em nada contrários à Los Angeles dos anos 60. Mas poucos – além de Jimi Hendrix ou Jim Morrison – deram por eles.
Retrospectivamente, no entanto, não houve lista da Rolling Stone ou Mojo sobre rock psicadélico em que não figurassem. Ano após ano, relembra-se ao som de Forever Changes o estonteamento do Verão do Amor – entre o eternamente virgem dedilhar de guitarras acústicas com missangas penduradas das cordas ao recurso à electricidade e arranjos monumentais para acompanhar e estimular viagens para lá das portas da percepção. E não desilude. Dizer que está ao nível dos Byrds de Fifth Dimension ajudará, desde que a audição de um não exclua a do outro. Além de que aqui – entre a sugestiva orquestra de cordas e a secção de sopros sacada da fronteira com o México –, o que se ouve é a tensão entre o líder, Arthur Lee, e um Bryan MacLean a muito custo capaz de no alinhamento incluir um ou dois originais (e logo “Alone Again Or”, porventura a canção mais emblemática do grupo). O resto é do mais delirante, expansivo e melodicamente conseguido do seu tempo. Mas entre a recusa em dar concertos longe da cidade, fama de misantropo e abuso de ácidos e heroína, Lee levou a dele avante sozinho. Ou assim pensava. Quando o ouvimos cantar, em “Red Telephone”, “They’re locking them up today; I wonder who it’ll be tomorrow: You or me?”, já sabemos a resposta.
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