É o álbum de “Stairway To Heaven”. No que diz respeito a justificações para a sua inclusão em qualquer lista que queira, nem que seja de passagem, referir-se ao essencial no rock, basta. O tema junta as tendências mais significativas de início da década de 70: os resquícios do folk dos singer-song-writers e a emergência do heavy metal. O tema que fez dos Zeppelin – formados a partir dos restos do Yardbirds, ou mais precisamente a partir do guitarrista Jimmy Page – heróis do rock, depois de três álbuns ignorados ou mal tratados pela crítica. Led Zeppelin IV (cujo nome oficial são os quatro símbolos mágicos, um para cada membro da banda, impressos no LP) é bem mais que isso. É uma balada Lord Of The Rings punk, no frenético “The Battle Of Evermore”, em que Robert Plant é acompanhado pela voz de Sandy Denny; é “When The Levee Breaks” onde se ouve já o country-rock que varria os EUA; é “Black Dog”, no qual o diálogo entre Plant e a banda reinventa o blues no contexto do hard-rock, é “Rock And Roll”, mas também folclore medieval. Os Led Zeppelin saltam de tema em tema e cada um dos oito podia servir de base à criação de um novo mundo, da Middle Earth a uma Califórnia idealizada. A capa do álbum não diz nada porque “sometimes words have two meanings” como anuncia “Stairway to Heaven” – mas entre o papel de parede floral e o quadro do camponês, há espaço para mil interpretações.
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