Por baixo – ou por cima, tanto faz – da maquilhagem dos Kiss, está a base do hard rock dos anos 80: dos Motörhead aos Van Halen, passando pelos Poison, Def Leppard ou Bon Jovi. O guarda-roupa era inspirado em partes iguais por Alice Cooper e pelos New York Dolls, mas as influências do glam e punk de Nova Iorque depressa ficaram escondidas pelo ataque de guitarra e baixo mais próximo de uma linhagem Black Sabbath e Deep Purple. Metade da fama dos Kiss ficou presa ao seu aspecto e, fundamentalmente, a um negócio de merchandise que vendeu de tudo: de banda desenhada a action figures, de T-shirts a lancheiras, tornando-os uma das bandas mais iconográficas da História, até para quem não fazia ideia ao que soavam. Destroyer é o disco da consagração. Os Kiss já eram famosos, só tinham de se superar. O quarto álbum em estúdio de Simmons, Stanley, Frehley e Criss teve como produtor Bob Ezrin, que tinha acabado de gravar Welcome To My Nightmare e Alice Cooper Goes To Hell (e a seguir produziria The Wall, com os Pink Floyd). E a sua esperada grandiloquência – ensaiada há três anos no Berlin de Lou Reed, por exemplo – assentou-lhes que nem uma luva. Permeado por coros infantis, orquestras, todo o tipo de ruídos tirados da TV, tem em “Beth” uma balada como o heavy metal e o hard rock haveriam de produzir em massa, em “Shout It Out Loud” resquícios do glam e em “God Of Thunder” tem só rock… mas, como o álbum, antes de o rock soar assim.
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