In The Court Of The Crimson King é uma viagem desenfreada a territórios que podem ou não existir, em que a música de gamelão, o jazz eléctrico, classicismos de vanguarda, rock psicadélico e motivos tradicionais se sucedem como elementos mágicos para improvisação. Mas a sua quase esquizofrénica natureza não o impediu de se tornar num sucesso de vendas. Qualquer apreciador de Miles Davis, Procol Harum, Jimi Hendrix, Beatles, Moody Blues, Donovan, Pink Floyd, Fairport Convention, Grieg ou Holst encontraria aqui motivos de interesse. Por outro lado, é um dos mais imperturbáveis sinais de que o rock progressivo fugia a nichos comerciais. De instrumentos de sopro ao uso do mellotron, de expansivos solos de guitarra a secções sinfonicamente dilatadas, as fronteiras começavam lentamente a desintegrar-se. Robert Fripp acabou por ser o único sobrevivente de um alinhamento – herdando ainda o mais caprichoso de Giles, Giles & Fripp – que, como tantos outros, não aguentou o súbito embate com a fama. No encalço dos King Crimson, vinham já Yes, Genesis ou Emerson, Lake & Palmer, dispostos a tornar o rock mais eurocêntrico. Nunca foram uma banda de consensos porque nem todos conseguem dar o salto de imaginação necessário quando se criam mundos novos.
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