Não será a mais inspirada das deduções reconhecer que John Prine soa a Willie Nelson a cantar Bob Dylan. E entre timbre e enunciação, ninguém teria duvidado se Prine se tivesse feito passar por um primo de ambos acabado de chegar do Kentucky. Imerso – na infância rural – numa linhagem familiar em torno do country, a sua visão da música estava demasiado próxima da tradição para se encaixar nos hábitos mais cosmopolitas de Los Angeles ou Nova Iorque. Mas em Chicago, Kris Kristofferson aceitou ouvi-lo e descreve o seu espanto no texto que acompanha a reedição em CD: “ Twenty-four years old and writes like he’s two-hundred and twenty.” Prine parece conhecer o coração dos idosos, mães solteiras, vagabundos e veteranos do Vietname como o seu próprio. Embalado por um discursivo bluegrass e o mais ligeiro do rock do seu tempo, o autor leva pela mão quem quiser conhecer o lado menos feliz da vida de província: o patriotismo sem sentido de “Your Flag Decal Won’t Get You Into Heaven Anymore”, a destruição do ambiente de “Paradise” e o presciente “Six O’Clock News”, em que o filho de um lar abusivo se suicida. Prine, no entanto, não tem nada de demagogo e ainda menos de panfletário – a sua crítica é pouco mais que um registo de quem vê a vida a passar, como o casal de velhotes de “Hello In There”. Até a separação merece o seu olhar, numa frase de quebrar o coração: “Well ya know, she still laughs with me, but she waits just a second too long”. Nada que já este ano não tenha relembrado em Standard Songs
For Average People.
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