Comparado com o pouco que editou em nome próprio, possui – graças a formação com Little Richard ou Isley Brothers e às digressões nos últimos anos de vida – uma larga discografia perversamente explorada. E é profundamente norte-americano apesar de ter estado em Londres na altura certa – ouvindo Soft Machine, Yardbirds, Who ou Emerson, Lake & Palmer. Este seria o seu último projecto de estúdio completo. Quem goste de augúrios (como Hendrix), não será indiferente ao profético perfeccionismo que o guiou. Como se adivinhasse o epitáfio. Gravou dezenas de alternativas (para “Gypsy Eyes”, dedicado à mãe, foram 43!); encorajou um entra e sai de músicos (membros dos Traffic, Al Kooper, Buddy Miles, etc.) e a presença das Electric Ladies que baptizam o Duplo LP. Aparecia quando se sentia inspirado – com horas de atraso. Chas Chandler (ex-Animals), que o havia guiado e apresentado aos excelentes Mitch Mitchell e Noel Redding (o baterista e baixista imortalizados como dois terços da Experience), bateu com a porta. Mas Hendrix sabia perfeitamente o que queria: sintetizar jazz, blues e soul num solo de guitarra, afastar-se do formato canção e renunciar à melodia ao mesmo tempo que desejava criar hinos para as ruas. Reflectir um estado mental de caos, distorção, hipnose e libertação. Quem via o rock como verso-refrão-verso de três minutos, parecia assistir à desintegração de um talento. Mas esta foi a história de um rapaz de 26 anos a guardar em fita magnética o percurso criativo de uma vida inteira. De “Crosstown Traffic” a “Voodoo Child”, é a derradeira experiência psicadélica.
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