Quando a nova vocalista dos Jefferson Airplane deixou os Great Society, aproveitou para trazer consigo duas composições em que tinha trabalhado. Inadvertidamente, Grace Slick deu ao grupo os grandes hinos do Verão do Amor: “Somebody To Love” e “White Rabbit”. Basta ouvi-los para se ser imediatamente transportado para os meses em que Allen Ginsberg e Baba Ram Dass discursavam, vestidos com túnicas, às centenas de adolescentes que rumavam ao parque de Golden Gate com flores no cabelo; o jornal de eleição chamava-se Oracle e havia sempre um estudante de química generoso por perto; durante uns meses, os Hells Angels não espancaram ninguém. Os singles (“Somebody…” subiu até ao quinto lugar das tabelas e “White Rabbit” ao oitavo) são vistos por muitos como o catalisador para o alargado movimento contra cultural e, fun damentalmente, como a razão para o interesse das grandes editoras em bandas da cidade como Grateful Dead, Big Brother And The Holding Company, Quicksilver Messenger Service ou Santana. Skip Spence tinha-os deixado mas deixou um “My Best Friend” que, meio Byrds meio The Mamas And The Papas, é um dos pontos altos do LP. Ironicamente, alguns fãs não gostaram do som com generosa reverberação – hoje indissociável ao psicadelismo. Não se sabe se Jerry Garcia participou ou não nas gravações: o produtor e assistentes juram que nunca o viram, mas o grupo tem a certeza de que o líder dos Grateful Dead deu uma ajuda na guitarra e se lembrou do título do álbum. Projecção astral, talvez.
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