Dos desfiladeiros, cowboys e pastagens na abertura de Sweet Baby James, poder-se-ia pensar que James Taylor tinha crescido a laçar bezerros. Na realidade, a região das Berkshires situa-se no estado do Massachusetts. Taylor cresceu aí, antes de o pai, professor universitário, levar a
família para a Carolina do Norte. Mas as botas de cowboy e estilo outlaw iam ser também a imagem de marca da Califórnia dos anos 70 – levado ao limite pelos Eagles na capa de Desperado, de 73 (Jackson Browne, um ano antes, usou o estilo dos anúncios “Wanted” do velho Oeste num LP). Taylor não ditou apenas o pronto-a-vestir: foi em parte o sucesso do single “Fire And Rain” que tornou possível o movimento singer-songwriter que conduziu Joni Mitchell, Linda Ronstadt, Carole King, Paul Simon ou Browne à ribalta. Inaugurou um ciclo histórico na imprensa. E com um rigor que não se via desde a ascensão de Dylan, tornou-se não só aceite como exigido que um músico fosse intérprete e autor da maioria do seu trabalho – e, já agora, que ficasse bem nas fotografias. Com uma carreira que foi esfriando, é difícil lembrar hoje – vendo-o com ar de pai suburbano – a sua fama no início da década de 70 (ajudada pelo romance com Mitchell e o casamento com Carly Simon). Apesar de tudo, dependente da heroína, esta não foi a melhor altura da sua vida. Internado em instituições psiquiátricas durante a adolescência, relembra o suicídio de uma amiga em “Fire And Rain”, mas Sweet Baby James é acima de tudo sobre o simples conforto do country e blues cantados numa voz que se deseja próxima.
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