As desiludidas palavras de “Late For The Sky” (“Tracing our steps from the beginning, until they vanished into the air, trying to understand how our life has led us there”) podem referir-se aos últimos instantes de uma relação amorosa, mas o sonho dos anos 60 não tem melhor epitáfio do que este primeiro tema do LP de Jackson Browne. A melancólica surpresa de reconhecer que en – quanto uns – como os amigos Joni Mitchell, Eagles ou CSNY – ficavam milionários com franqueza emocional, outros – como Gram Parsons ou Tim Buckley – perdiam-se sempre que fechavam os olhos à realidade, guiou-o profeticamente à frase: “I know I’m alone and close to the end of the feeling”. A sua popularidade nunca se chegou à dos colegas, mas o crepuscular Late For The Sky (com capa inspirada no L’Empire Des Lumiéres, de Magritte) cimentou-lhe a reputação de importante singer-songwriter, dado a suaves meditações sobre a morte e o fim dos tempos. O álbum perfilha uma estética de puro country-rock, tal como criado na Los Angeles de finais dos anos 60, com lembretes das harmonias vocais dos Byrds (o coro é composto por Don Henley, J.D. Souther e Dan Fogelberg), mas já a apontar para Hotel California. E David Lindley faz aqui algum do seu trabalho mais brilhante como guitarrista e, com a sua rabeca, transforma “For A Dancer” e “Before The Deluge” em fantasias das montanhas apalaches.
Mesmo com os mais enérgicos “The Road And The Sky” e “Walking Slow”, Late For The Sky fica como o mais próximo que os californianos já estiveram de reinventar a saudade.
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