Passadas quase quatro décadas sobre os albums definitivos do psicadelismo, é impossível recriar o misto de estranheza e entusiasmo de quem os ouviu pela primeira vez. A partir daí, todos cresceram com “White Rabbit”, com Joplin e Hendrix, Pink Floyd e Grateful Dead. Mas pode-se sempre ouvir The Hangman’s Beautiful Daughter. Este, povoado por Duendes e Djinns, é daqueles que continua tão bizarro hoje como em 68. Com vários alinhamentos formados em torno de Mike Heron e Robin Williamson, vinham de um passado recente de militância folk-rock ancorada em bem mais antiga tradição escocesa. Noutras vidas devem ter andado pelas colónias americanas, Norte de África, Sul de Espanha, Índia e Sudeste Asiático. Williamson explicou ao escritor Richie Unterberger que a missão dos Incredible String Band era combinar a filosofia dos Beats americanos com a tradição celta. Hoje – nos seus álbuns para a ECM – faz realmente uma variação do enunciado. Mas na altura, fazia ainda mais. De viagens a Marrocos trouxeram gimbris, ouds e batuques; depois adicionaram-lhes flauta e harpa pastorais; incluíram dulcimer, bandolim, guitarra, liras, cítaras e outros cordofones em delírio; e Dolly Collins em bucólico piano e órgão; tudo transfigurado por interpretações vocais que tanto lembram o Oriente como a mistura do cancioneiro anglo-saxónico com música africana. Era o ano da viagem de Donovan e Beatles à Índia e da publicação de The Teachings of Don Juan, de Carlos Castañeda – e o mais estranho foi o LP ter chegado ao top, a banda ir a Woodstock e o tempo quase tudo apagar.
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