Ludwig Mies van der Rowe disse: “Less is more.” Buckminster Fuller sugeriu “Doing more with
less”. E de Philip Glass a Gyorgy Ligeti não houve, na música, quem não se lembrasse de comprovar a sustentabilidade das teorias. Agora, que “More, more, more” – como cantava Andrea True Connection – era mais apelativo para alguns, todos sabíamos. Mas que os Heaven 17 fariam mais, melhor e com uma inédita quantidade de recursos, poucos esperavam. Por trás da terrível mas eficaz capa, está um dos álbuns mais originais e ambiciosos do seu tempo: a ideia era mostrar o tal intervalo, sendo que do lado de lá, estariam, por exemplo, uns Duran Duran (nos seus exóticos locais de filmagem de vídeos). Martyn Ware e Ian Craig Marsh utilizavam sintetizadores há anos. Tinham fundado os Human League e convidado para vocalista Philip Oakley. Mas na verdade essa era uma segunda escolha – o preferido era já Glen Gregory. Um primeiro ensaio promovia uma aventureira síntese da new wave com ideais políticos e Gregory com poses à Bryan Ferry. Mas em Luxury Gap foram ainda mais longe. Com os Phenix Horns (a secção de sopros dos Earth, Wind & Fire), recurso a arranjos de cordas a roçar a ironia ou a uma cantora r&b (Carol Kenyon) com créditos demonstrados no Too-Rye-Ay dos Dexys Midnight Runners, há em “Temptation”, “Come Live With Me” ou “Let Me Go” exemplos de que a pop electrónica podia ser quente como um pôr-do-sol nas Antilhas sem precisar de viver no mundo da lua. Dizer que é uma espécie de primeira infância para Playgroup, Herbert ou Basement Jaxx, não será demasiado ambicioso.
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