Quem inadvertidamente olhar para a capa, pode pensar que está na presença de Jerry Baskin, o vagabundo na alta-roda interpretado por Nick Nolte em Down And Out In Beverly Hills. Claro que a prioridade de Harry Nilsson não era criar uma personagem de palco, ou pelo menos em 71 já não o era. Quando Nilsson Schmilsson foi lançado, era um veterano da cena musical de Los Angeles. Tinha gravado o primeiro LP em 62 (nessa altura era um menino penteado de fato e gravata) e com os Beatles a cantar-lhe as virtudes já nem precisava de sair do roupão – dando-se ao luxo de editar um disco inteiro só com canções de Randy Newman. Até que ao décimo álbum se tornou numa estrela. Entre “Without
You”, uma canção dos britânicos Badfinger que reinventou transformando-a num dos temas românticos mais populares de sempre (à semelhança do que havia feito com “Everybody’s Talkin’”, de Fred Neil, gravado em Aerial Ballet mas imortalizado no filme Midnight Cowboy), o hilariante calypso de “Coconut” e o rock’n’roll de “Jump Into The Fire”, teve três êxitos entre mãos. Mas Nilsson Schmilsson é o registo máximo de um talento que se recusa a ficar limitado: “Gotta Get Up” abre as hostilidades entre a Broadway e West End, “Early In The Morning” é quase rockabilly, blues e soft rock num só, “Down” é derivado do soul e “The Moonbeam Song” parece ter sido com – posto para Bing Crosby e Gene Autry ao mesmo tempo. É um canto do cisne que Pussy Cats, de 74, produzido por Lennon, só veio tornar mais raro.
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