E depois alguém teve a ideia de misturar punk com blues, country e rockabilly e viver na sombra de um líder idiossincrático e imprevisível – anos antes dos 16 Horsepower ou White Stripes. Com membros em comum com os Bush Tetras, Sisters of Mercy ou Bad Seeds, a história dos Gun Club colocá-los-á sempre em qualquer árvore genealógica do rock dos anos 80. E se o objectivo for traçar as origens do psychobilly – em que se encaixam muitas bandas, mas quase todas piores – ou do country punk comum aos Mekons, Meat Puppets ou Dinossaur Jr, não será necessário procurar mais longe. Entre o que faziam os Gun Club na Califórnia e os Cramps em Nova Iorque, traça-se uma linha que separa o trigo do joio. Mas, curiosamente, pareciam estar ambos nas cidades erradas. A visão colorida dos Cramps,inspirada em todo o tipo de artefactos culturais com lar em filmes de baixo custo de produção dos anos 50 e 60, era satélite ao submundo de Hollywood. E o mentor dos Gun Club, Jeffrey Lee Pierce (falecido em 96), sonhava com o Lower East Side das bandas que tocavam no CBGB’s, como os Blondie. Mas o seu coração espiritual estava noutro sítio (no Texas) e noutro tempo: como um cantor de blues dos anos 30, encontrava na música perdição, expiação e salvação. Por
isso é tão importante em Fire Of Love a versão de “Preaching the Blues”, cantada por Son House ou Robert Johnson. Também Pierce acredita que “Blues is an achin’ old heart disease; it’s like consumption, baby, killing me by degrees”. Entre o gótico branco e a magia negra do Sul dos EUA, não houve outro álbum assim.
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