São bem mais do que aquelas que se pensa as vezes em que a imprensa musical pisou o risco.
Nomeadamente no abuso de um circular e auto-referencial jargão que tinha como único objectivo manter os seus intervenientes à tona de água.
Emblemática desses tempos é a banda de Robert Pollard, quando a cada novo álbum surgiam referências ao “jangle pop”, ao “math-rock” ou ao “lo-fi”.
Indiferente a tudo isso, num imperturbável sintoma de subversão, o infinitamente prolífico e professor da primária Pollard ensaiava formas de baralhar os estereótipos do rock mais depressa do que o mundo conseguia acompanhar.
O impacto da descoberta de Bee Thousand pelos fãs dos Sonic Youth e Pixies vinha ainda relembrar que nem toda a música norte-americana estava devidamente cartografada, num processo semelhante ao que acompanhou a posterior redescoberta dos Flaming Lips ou Giant Sand pela imprensa generalista.
Com a enérgica e expansiva convicção rítmica de uma banda de garagem, a par da idiossincracia melódica de três décadas de country-rock à disposição, os Guided By Voices referiram mais discos voadores do que Sun Ra, criaram refrões mais contagiantes do que os Millennium e, no seu melhor, partiram intempestuosamente para cada álbum como se fosse o primeiro.
20 inspirados temas em pouco mais de meia hora num tirocínio que buscava tão só: “take the melodicism of the ‘60s and mix it with the heaviness of early ‘70s metal”.
Saudades de um tempo em que a ironia não era à partida mais valia mercantil.
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