O trovador que Grant Lee Phillips ocasionalmente interpreta na série Gilmore Girls tem muito em comum com a sua própria carreira. Primeiro nos Grant Lee Buffalo e desde 99 a solo, possui qualquer coisa de versão local de um Donovan ou Neil Young – e com a sua força narrativa, acuidade observacional e uma melíflua voz destinada a arredondar arestas, relembra a cada novo disco esse tempo em que uma bem fundamentada necessidade de contar histórias não significava à partida mais-valia comercial. Na era do grunge – e de uma lírica bastantes vezes situada entre o ininteligível e o aleatório –, foi um não-alinhado. E tal como na ficcional vila Stars Hollow, houve quem com ele se cruzasse sem nunca parar para ouvir. O resultado hoje no ecrã ou o de então num panorama musical que nem lhe voltou as costas (a sua banda tocou em digressões com Pearl Jam ou R.E.M.), não difere por aí além: por mais subtil que seja, cada cena parece ganhar acrescido significado só pela sua presença. No cruzamento do pós-punk norte-americano com os fundamentos de clareza emocional e lacónica capacidade de expressão do country, nasciam já Uncle Tupelo ou Palace Brothers – mas Fuzzy nem aí terá eco. Ganhava mais – tapando-lhe parte da capa – quem o tentasse fazer passar pelo nunca editado quarto álbum dos Buffalo Springfield. Phillips estava aqui entre a universalidade política e aquele tipo de especificidades amorosas que normalmente conduzem a uma vida de balcão de bar. E enquanto o pior e o melhor do mundo se confundir entre o entardecer e o madrugar, havemos sempre de precisar dele.
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