Formados em Montreal, os GYBE não se ficavam no entanto por aí: com a convicção de quem estava a acompanhar o fim dos tempos, pegaram no mais sepulcral dos drones de John Carpenter ou Goblin e criaram uma lúgubre coda de forte propensão fílmica, que em apenas três temas ultrapassava os 60 minutos.
Em parte narrado com laivos de premonição (“The buildings tumbled in on themselves; mothers clutching babies picked through the rubble and pulled out their hair; the skyline was beautiful on fire, all twisted metal stretching upwards”), relembra ainda a redentora invenção melódica de Angelo Badalamenti ou Popol Vuh, enquanto alterna, com sinos e sirenes de comboios, aproximações ao Steve Reich de Different Trains, com harmónicas e trémulas guitarras, ao Ennio Morricone mais c&w e, com cordas, ao Kronos Quartet da fase Black Angels.
Com gravações de rua prontas a apanhar pregadores de esquina, elegíacas gaitas-de-fole ou um trecho do musical Godspell, é menos conspirativo que os X-Files mas poucos discos documentam de forma tão intensa e dramaticamente bela uma certa paranóia muito fim-de-século que o tempo veio a provar não estar assim tão distante da realidade.
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