E talvez nenhum o tenha feito tão bem quanto Gillian Welch.
Assente numa estratégia de depuração estética capaz de apagar 60 anos de música popular – guiada pelo produtor T-Bone Burnett, que pouco depois teria nas bandas sonoras para O Brother, Where Art Thou? e Cold Mountain oportunidade de a encenar em grande escala –, Hell Among The Yearlings opera no coração do bluegrass como Gentle Creatures, dos Tarnation, intervinha na memória do rock’n’roll, permite uma melhor contextualização crítica para Cat Power, Laura Cantrell, Jolie Holland ou Neko Case, remete as maravilhosas Freakwater para a condição de banda de sociedade recreativa e, na extrema sensibilidade dos seus tempos lentos, como num hiper-realista retrato de época, faz de Iris Dement ou Patty Griffin versões aceleradas de Dolly Parton, e de Emmylou Harris ou Nanci Griffith antepassados punk.
Quase todas ancoradas no austero contraponto da guitarra de David Rawlings, as canções falam-nos de ambiguidades morais, dependência, mortalidade, sexo e religião, como nos melhores álbuns daquela que Welch reconhece como influência maior que a da Carter Family: Neil Young.
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