Trinta anos antes, em This Is Our Music, Ornette Coleman revia quase meio século de tradição e com uma só versão (“Embraceable You”) sugeria improvável filiação nos irmãos Gershwin. No seu terceiro álbum, era a vez dos Galaxie 500 responderem com “Listen, The Snow Is Falling”, de Yoko Ono, quando todos esperavam a recriação por inteiro de qualquer álbum dos Velvet Underground. Produzido por Kramer (mais tarde associado a Will Oldham, Low ou Half Japanese), possui o mesmo tipo de constelações por onde passeiam Spacemen 3, mas suspende-se num tipo de reverberação e dilatação do espaço próprias. Talvez a presença de uma rapariga na banda (Naomi Yang) seja responsável pela acrescida sensibilidade, ou pode ter sido a competitiva vibração de “melhores de turma” (Dean Wareham, Damon Kukowski e Yang conheceram-se em Harvard) que os levou a criar um dos únicos álbuns aconselháveis para os que, seduzidos pelo que andavam a fazer De La Soul, Jungle Brothers, NWA ou Gang Starr, se tivessem afastado do rock. Mas, seja como for, éum passo de gigante para a aceitação do praticado por My Bloody Valentine, His Name Is Alive ou Slowdive. Humor melancólico (“I wrote a poem on a dog biscuit and your dog refused to look at it”), considerações românticas a puxar para o existencialismo (“Maybe I should just change my style but I feel alright when you smile”) e infinitas espirais de guitarras – com menos ingredientes tornaram-se mais famosos Belle And Sebastian ou Sigur Rós. Para os Galaxie 500 foi o canto do cisne. Damon e Naomi continuaram a dois, Wareham formou os Luna.
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