O ano de 77 foi o primeiro a soçobrar perante uma esquizofrenia cultural que viria a dominar a cultura popular de fim do milénio. No cinema,
Annie Hall roubava bilhetes a Star Wars; e se este foi o ano do punk, quem olhasse para as vendas de singles ficaria com uma ideia muito
diferente: entre Eagles e disco-sound, até Elvis Presley, pouco antes de morrer, voltou ao top. Para os Fleetwood Mac, sobreviventes a um par
de obras-primas sob a égide de Peter Green, e estabelecidos na Califórnia, foi o ano do estrelato. Meio inglesa, meio americana – isto é, meio
blues rock, meio soft rock –, a banda ganhava novo líder numa hippie sofisticada, e, com renovada energia e polimento, os Mac estavam prontos
a conquistar todos os brancos suburbanos com mais de 25 anos: eram loucos mas não se faziam passar por adolescentes e provavam que não era preciso ir a uma discoteca para se estar na moda. Christine McVie tinha sido a principal compositora do grupo na fase precedente, mas com Lindsey Buckingham e Stevie Nicks no alinhamento californiano, o talento triplicou: “Don’t Stop” de McVie, “Go Your Own Way” de Buckingham e “Gold Dust Woman”, de Nicks, são prova disso. Inspirado pelas tensões entre os dois casais do grupo, Rumours foi um êxito estrondoso e uma espécie de ABBA em linguagem rock. E se Barbra Streisand vendia mais discos, secretamente morria de inveja de Stevie Nicks. Estavam a uma
tonelada de cocaína da competição.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.