Debalde: o grupo de Wayne Coyne, pelo menos em disco, tem o mérito de saber mascarar um discurso perfeitamente idiossincrático com atitudes de provocação estética em tudo consoantes com a restante programação da MTV (Jackass, Osbournes, etc.).
Aliando a ambição teatral dos Who ao acídico e proteico abuso formal dos Pink Floyd, a parte da sua produção que remete o La Fura Dels Baus para a condição de agitador bairrista (álbuns quádruplos para tocar em quatro aparelhagens em simultâneo, peças para 40 auto-rádios, etc.) está aqui equilibrada com exaltante sabedoria pop renovada dos tempos em que o Steve de Beverly Hills 90210 reagia à participação da banda num episódio com: “You know, I´ve never been a big fan of alternative music, but these guys rocked the house!”.
Mas na calculada distância que separa os Queen de Todd Rundgren, e guiado em parte por Dave Fridmann (Mercury Rev), The Soft Bulletin tem na desarmante honestidade com que Coyne canta a deriva dos sentimentos, fraqueza espiritual, perda e perversão da ordem, um derradeiro sintoma de humanismo, em definitivo afastando a leitura que vê nos arranjos de cordas e sopros pouco mais que o equivalente de palco das plumas e lantejoulas.
Para comentar este artista é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.