Esteja certa ou não, a etiqueta colou: os Fairport Convention ficaram conhecidos como o primeiro grande grupo do folk-rock inglês. A afirmação teve proveniência duvidosa: a própria editora. Mas, não sendo este o primeiro ensaio no género, a História resolveu reconhecê-lo enquanto seu paradigma. Os Fairport Convention começaram pelo mais popular elogio: a seguir os passos de Dylan, Baez, Mitchell, Fariña, Byrds ou Jefferson Airplane. Neste terceiro álbum, com Ian Matthews de abalada, a voz fica quase totalmente entregue a Sandy Denny, comparada por vezes ao mais vítreo em Judy Collins mas com uma projecção que faz lembrar, em certos momentos, o mais vitríolo em Janis Joplin. Mais: Denny revela dotes composicionais de excepção, em particular no belo e melancólico “Who Knows Where The Time Goes?”, que evoca uma Mitchell interpretada por uma cantora medieval. Este é ainda o álbum em que se tentam ver livres de Dylan. Não por, pela primeira vez, o ignorarem – muito pelo contrário. Mas quando se pega em “If You Gotta Go, Go Now” para a transformar no tema zydeco “Si Tu Dois Partir” ou se converte “Percy’s Song” num hino que parece ter sido escrito nas charnecas inglesas, poder-se-á falar de versões? “Genesis Hall”, de Richard Thompson, é já folk-rock até à medulla – uma canção de taverna que fala simultaneamente de vingança e de compaixão. E um “Sailor’s Life”, com a rabeca de Dave Swarbrick, anuncia um modelo que levaria dois álbuns a surgir cristalizado. Mas, por enquanto, celebravam efusivamente uma era livre de ideologias folclóricas e discussões de autenticidade.
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