Não serão bem a ovelha negra do rock progressivo, mas andarão lá perto. Talvez os arrebatamentos sinfónicos e os espectáculos explosivos fossem uma forma de compensar a ausência de Jimi Hendrix. Emerson, Lake e Palmer eram conhecidos no circuito do rock britânico, e vinham dos The Nice, King Crimson e Atomic Rooster. Na altura da sua formação, foram carregados em ombros pela imprensa musical, certa de que estava aqui a resposta europeia aos Crosby, Stills & Nash. E circulava de facto o rumor de que Hendrix se iria juntar ao grupo. Em termos de produtividade, o trio dificilmentesuportaria mais sem implodir – em apenas três anos de existência Brain Salad Surgery era já o quinto álbum. Com marcos anteriores nos 20 minutos iniciais de Tarkus e, naturalmente, na adaptação do Pictures At An Exhibition, de Mussorgsky, ou no “Hoedown” de Aaron Copland em Trilogy, estavam já afastados da tradição do blues e eram a banda que não tinha pudor em transcrever para um trio de órgão, bateria e baixo a “Toccata” de um compositor quase exclusivamente conhecido em meios académicos, Alberto Ginastera. É este o álbum que cristaliza a visão dos ELP – rock sinfónico que prova a velha máxima da semelhança entre o heavy metal e a música clássica. Para as letras tanto se serviam de William Blake quanto do ex-colaborador dos Crimson, Peter Sinfield. A capa de H. R. Giger, desenhador, anos mais tarde, de Alien, descreve graficamente na perfeição Brain Salad Surgery. Os 30 minutos de “Karn Evil 9” não prometiam um futuro consolador.
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