Quando, no texto que acompanha a reedição em CD de Armed Forces, Elvis Costello reconhece os álbuns que inspiraram a produção do seu terceiro LP, não há como fugir ao espanto. Primeiras audições em nada sugerem a influência de Autobahn, dos Kraftwerk, a distância emocional comum à trilogia de Berlim de David Bowie e aos dois primeiros discos a solo de Iggy Pop (talvez, “Moods for Moderns”) e, muito menos, o temperado engenho dos ABBA. Mas quando menciona os Beatles de Yellow Submarine e Abbey Road tudo encaixa melhor. Costello falava mais de forma do que de conteúdo. E de como o trabalho de estúdio se pode tornar num atmosférico suplemento, como assinaturas rítmicas inesperadas não excluirão à partida o melhor engodo melódico e como o aliciava revelar uma composição mais cuidada do que em qualquer single sueco. Parecem influências contraditórias, mas perfeitamente aceitáveis para quem tinha começado a vida como programador de computadores e viria a tornar-se no equivalente britânico de Randy Newman. E tudo com óculos – na honrosa tradição de Buddy Holly ou Roy Orbison – e uma energia que o tornaria no modelo ideal para publicidade a estimulantes. Armed Forces é fresco como a melhor new wave e possui um optimismo e humor que só o tempo permite apreciar na íntegra: “I tried in vain to drive myself insane; I talk to myself but I don’t listen”, “I get hit looking for a miss” ou “It’s a death that’s worse than fate”. Tudo a culminar na furiosa versão de “(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love And Understanding”.
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