Tal como os Stones, também Elton John era um apaixonado pelos mitos da América. Mas não era o Delta do Mississippi que o chamava. E o adeus à estrada de tijolos amarelos do título acaba por causar alguma surpresa, porque se há coisa em que nunca deve ter acreditado – sapatinhos vermelhos ou não – é que não há sítio como o lar. Hollywood estaria mais próxima do aconchego doméstico que John procurava, impressionado por David Ackles ou Randy Newman. Claro que as letras estavam a cargo do amigo Bernie Taupin, com quem em 72 já tinha gozado o êxito de “Rocket Man” e “Crocodile Rock”, e sugeriam qualquer coisa de grande esperança para a escrita de canções pós-Beatles. Inspirados pelo cinema norte-americano, apresentavam agora não só a que viria a ser a sua balada mais conhecida (“Candle In The Wind”, dedicada então a Marylin Monroe) como o mordaz “I’ve Seen That Movie Too”. E se não se pode negar que abrir um álbum com o seu próprio elogio fúnebre (“Funeral For A Friend”) é indulgente, Elton redime-se com “Yellow Brick Road” e o rock adolescente de “Saturday Night’s Allright For Fighting” – o mais perto de desacatos de rua de que deve ter andado. Entre as baladas e uns quantos delírios, como em “Bennie And the Jets”, o álbum consolidou- o como uma das mais iconográficas figuras da música popular. Elton John não voltou a sonhar em Technicolor – já só via platina.
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