Mas nada de tão grave quanto a memória da cerimónia dos Óscares em que mais sério do que preterir o argumento de Paul Thomas Anderson para Boogie Nights em proveito do de Ben Affleck e Matt Damon em Good Will Hunting (O Bom Rebelde, nas salas portuguesas), foi não premiar a canção “Miss Misery”, de Elliott Smith, ainda assim das melhores coisas do filme de Gus Van Sant, e, via Céline Dion, baralhar talento musical com a consagração de Titanic.
Smith, que poderia estar para a década de 90 como, por exemplo, Mark Eitzel esteve para a de 80, Nick Drake para a de 70 e Tim Hardin para a de 60, renovou a escrita de canções confessional num momento em que era difícil distinguir entre franqueza e ironia.
Tão frágil e delicado quanto insubmisso, Either/Or reforma a rebeldia juvenil que Smith havia revelado nos frequentemente brilhantes Heatmiser e transporta-a para a idade adulta.
Dependência e liberdade, introspecção e imprudência, são dois lados de uma mesma moeda que girava no ar – até que a 21 de Outubro de 2003, quando se suicidou, deixou seis álbuns a saber a pouco.
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