Inspirado pelo movimento Situacionista Internacional – formado no final dos anos 50 com o intuito de desenvolver vários projectos de agitação artística –, o álbum The Return Of The Durutti Column trazia várias surpresas: logo no título, que sugeria um regresso quando na realidade marcava a estreia do grupo; ou numa primeira edição, em papel de lixa, fabricada com o propósito de danificar os discos vizinhos na prateleira. Quem primeiro teve a ideia foi Guy Debord, que em La Société Du Spectacle explicava o declínio do Ser para o Ter, e do Ter para o Aparentar. E aqui, de facto, as aparências não correspondem à realidade. O nome, Durutti Column, retirado de um poster que mencionava o grupo de guerrilheiros que ombateram ao lado de Buenaventura Durruti na Guerra Civil Espanhola, evocava um grupo de músicos quando o principal e único membro a tempo inteiro era Vini Reilly. Lançado pela Factory, muito menos óbvio seria que não representava mais um militante grupo do pós-punk e, isso sim, os contemplativos e etéreos devaneios instrumentais de um guitarrista capaz de, no centro de manifestações que identificavam arte com ruído, sugerir temas tranquilos, melancólicos e com raízes no jazz. Isto sim, como referiu Reilly, foi verdadeiramente nárquico. Com auxílio do malogrado Martin Hannett, o álbum incluía atmosféricos teclados e ocasionais cantos de aves, explorando paisagens ficcionais suficientemente apelativas para, anos depois, ser entre Lisboa e o Estoril que viria a ensaiar uns quantos esboços sobre a saudade.
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