Com um “American Pie” dedicado a Buddy Holly, Don McLean conquistou um lugar na cultura popular da segunda metade do século XX. Mas curiosamente (ou não – afinal fez escola com Pete Seeger), não se veio a transformar numa máquina de êxitos. E embora continuasse a traçar elegíacos retratos da América do seu tempo, quando chegou a altura de Roberta Flack cantar “Killing Me Softly With His Song” – um tema em si baseado – já quase ninguém se lembrava dele. Muito por consequência deste álbum. Contrariando planos editoriais que lhe disponibilizavam compositores, produtores e orquestradores, preferiu continuar senhor do seu caminho, dedicando-se a oblíquas trovas plenas de simbolismo e providencial consciência ecológica. Ainda assim, apoiado na Paul Butterfield’s Blues Band, em Tony Levin no baixo, Dick Hyman ao piano e num coro, arriscou com sucesso no lado mais eloquente da sobriedade. “The More You Pay” é uma gema de country, “The Pride Parade” uma balada de fazer Donovan chorar e o tom vaudevillesco de “On The Amazon” antecipa parte da carreira a solo de Paul Simon. As suas letras são menos introspectivas do que opacas: “I can’t answer the questions you ask me, I don’t know what to say”, em “Falling Through Time”, ou “It started out quite simply, as complex things can do”, em “The Pride Parade”. Contrariou o ambiente musical do seu tempo e aos poucos perdeu público. Ninguém lhe perdoou a frase de “Birthday Song”: “If I could say the things I feel, it wouldn’t be the same”.
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