Num dos mais pausadamente majestosos e cinematográficos álbuns de uma década obcecada com a imagem (de Barry Adamson e Portishead à Cinematic Orchestra e aos Fantômas, passando pela recuperação de compositores como Morricone, Rota ou Herrmann), os Dirty Three viram o ciclo fechar-se quando Angelo Badalamenti lhes acenou respeitosamente na banda sonora de “The Straight Story”, de David Lynch.
Evocativo da planície e entardecer sem fim do Oeste, Horse Stories é mais que uma pequena obra-prima instrumental.
É o meditativo, poético e melancólico álbum country que num outro tempo menos concentrado na escrita poderiam ter feito os Velvet Underground, os Hugo Largo ou, mais recentemente, Richard Thompson, e a prova de que o mendelssohniano conceito de “canções sem palavras” era francamente aceite pelo público que consagrava já exercícios semelhantes nos Rachel’s, Pell Mell, June of 44 ou Labradford. Além que, como dizia Ellis, eram todas canções de amor.
Ry Cooder não faria melhor.
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