É das mais improváveis reuniões dos últimos tempos, mas quando se anuncia a saída da reforma de Jesus And Mary Chain ou Police não valerá a pena insistir na surpresa. E para o que agora interessa, recorde-se que no ano em que nasciam os Nirvana já Lou Barlow e J Mascis preparavam o terreno para a emancipação dos valores do underground.
Com um gosto por melodias angulares, ataques concertados de distorção e letras que contrariavam a falta de sensibilidade do rock convencional, produziram aquilo que se soube descrever como “Neil Young acompanhado pelos Black Flag”. Simultaneamente, tinham um narrador capaz de sobreviver à humilhação amorosa com um tom invulgar para a época (Mascis canta coisas como: “In a jar set me free”, “She runs away from me faster than I crawl”, “You’re allowed to torture me”, “she ripped my heart out and gave it to me”, “take my fate”). Os seus lamentos encontraram nemésis à altura na descarga de ruído saída das guitarras: mas do hardcore ao country e às melodias dos anos 60, os
Dinosaur Jr foram buscar inspiração a todas as referências da música popular, e, conforme explica Michael Azerrad em Our Band Could Be Your Life, Mascis fez o impossível ao recuperar o solo de guitarra para o rock alternativo. Pouco depois, Barlow sairia para formar os Sebadoh e com eles juntar uma peça ao puzzle da música independente do final de século. No início dos anos 90, Mascis não tinha figura para ser o menino bonito do grunge, mas o capítulo que se seguiu não teria sido o mesmo sem ele.
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