Nunca o som de uma banda disfuncional foi tão perfeito. Déjà Vu quase faz desejar mais tensão nas bandas rock, se bem que nem todas têm quatro compositores como estes. O álbum Crosby, Stills & Nash tinha-os consagrado como portadores da bandeira da revolução hippie no ano anterior, e Déjà Vu veio reiterar o trono acrescentando à mistura mais um ex-Buffalo Springfield (o outro era Stephen Stills). Neil Young não assentou propriamente como uma luva ao trio: era mais o sabor ácido que alguns doces deixam na boca;
tudo o que os CSN tinham de melódico e directo, Young tinha de tortuoso e lunar. Mas as suas composições aqui incluídas (“Helpless”, “Country Girl” e um “Everybody I Love You” composto a meias com Stills) provam que um pouco de country-rock mais relaxado era o seu perfeito contraponto. Crosby continua a veia de rock psicadélico iniciada com os Byrds (em “Almost Cut My Hair Today” e “Déjà Vu”, testemunhos da paranóia induzida por drogas). Os temas de Stephen Stills são os que soam mais esforçados e conscientemente desenvolvidos: “Carry On” abre o álbum com melodias vocais épicas enquanto “4:20” tem uma linha de guitarra que, uma vez ouvida, tem a tendência de aparecer na memória sem ser convocada. Graham Nash (ex-Hollies) é o rebuçado do quarteto: “Teach Your Children” (o maior sucesso do LP e ainda hoje a mais emblemática canção dos CSNY) e “Our House” são pop magistral, sugerindo que a herança dos Beatles iria ficar em boas mãos, ilustrando tudo o que de melhor havia no idealismo do período. “Woodstock”, de Joni Mitchell, foi a cereja.
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