Pode ter chegado com o cair de pano da década, mas Crosby, Stills & Nash é talvez a mais perfeita destilação do panorama musical dos anos que o precederam. David Crosby trouxe dos Byrds harmonias vocais herdadas dos Beach Boys e chegou com o impulso do mergulho na cultura psicadélica de São Francisco. As suas composições para os CSN são as mais estranhas, vagabundas, hipnóticas e exigentes, da quase medieval balada “Guinnevere” ao manifesto “Long Time Gone”. Stephen Stills vinha do folk-rock com os Buffalo Springfield, com uma ambição palpável, e tinha um afiado talento para a composição (não é por acaso que a maioria das canções são suas): da imaculada e aventurareira “Suite: Judy Blue Eyes”, dedicada à namorada Judy Collins, a “You Don’t Have To Cry”, “Helplessly Hoping” e “49 Bye-Byes”, é pormenorizadamente detalhado e apelativo, com melodias que desde o primeiro acorde transpiram honesta perfeição e naturalidade. Nada sugeria que eram fruto da personalidade mais combativa do trio. Graham Nash vinha fugido aos britânicos Hollies, fascinado pelo fervilhar de criatividade que se vivia em Laurel Canyon (e por Joni Mitchell). Com espírito mais diplomático, os seu temas – “Marrakesh Express” e “Pre-Road Downs” – reflectem ainda o rock’n’roll do seu grupo original (inspirado quer pelos Everly Brothers quer por Bob Dylan). Não lhe chamaram supergrupo por nada: com raízes nas tendências mais relevantes do seu tempo, CSN é ainda assim o som de portas abertas, o cantar na copa das árvores. As drogas, lutas de poder, fama e Neil Young haviam de as fechar.
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