Uma certa crueza afectiva – de alguém que mais do que uma vez foi retratada como a personificação do “Just Like A Woman” de Bob Dylan – ganhou-lhe a simpatia de todos quanto encaram a separação do mesmo modo que o cristianismo vê a contrição.
Mistificando apologeticamente um ideário só seu – em prática não muito distinta da de Neil Young vinte anos antes – tem em Moon Pix o seu próprio Olimpo.
Gravado na Austrália com Jim White e Mick Turner, dos Dirty Three, é a purificação de uma terra tornada pestífera pelo desencanto amoroso antes da sua autora partir novamente rumo à selva.
Só na aparência o seu álbum de sensualidade menos calculada, é, como um compêndio pessoal de espirituais, nas doses certas cruciante e radioso, vociferado e rumoroso. Em “Colors And The Kids” canta: “It must be the colors and the kids that keep me alive ‘cause the music is boring me to death".
E todos insistiam que Ray Of Light, de Madonna, era tão bom.
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