Pete Shelley e Howard Devoto começaram a tocar juntos na Universidade influenciados por nomes tão diversos quanto Velvet Underground,
Stooges, Brian Eno e Can. Mas só depois de assistirem a um concerto dos Sex Pistols, em 76, é que tiveram a certeza de que a carreira musical era para si. E, caso restassem dúvidas da ascendência, começaram copiando-os. Mas tantas das melhores bandas norte-americanas iniciaram-se com igual ambição face aos Ramones, por exemplo. E é em grande parte testemunho da sua criatividade que muitos os considerem hoje um dos grupos mais originais do punk britânico. Quando Another Music In A Different Kitchen foi gravado, já Devoto tinha arrepiado caminho (mais tarde formaria os Magazine) e Shelley assumiu em definitivo o papel de líder. Uma coisa é desde logo evidente – pode haver indignação e protesto, expandidas à guitarra e secção rítmica, mas os Buzzcocks não parecem estar zangados com a monarquia ou o estado da nação. As preocupações são mais encontrar “a lover like any other” ou “a friend who will stay to the end”. E o grupo até deveria ganhar algum tipo de prémio por em “Moving away from the pulsebeat” ter criado daquilo tipo de letras que nenhum outro punk conseguiria cantar: “I’m so happy just to be with
you”. A interpretação de Shelley é obviamente inspirada em Johnny Rotten, mas a sua voz é simplesmente melódica de mais para atingir o
mesmo nível de abrasão. O que, de todo, não é um demérito para alguém que canta “Honey I saw you yesterday on my way home; Baby I craved for you today, so I decided to phone”.
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