Enquanto o mundo assistia ao casamento de Elvis e Priscilla, e os Beatles apresentavam a banda do seu sargento preferido, algures em Los Angeles nascia uma das famílias mais importantes para a árvore genealógica do rock. Stephen Stills encontrou o amigo canadiano Neil Young, com o qual se tinha cruzado tantas vezes no circuito folk, e em coisa de dias, com Richie Furay e Bruce Pulmer, estavam criados os Buffalo Springfield. Com o apoio dos Byrds, não se passou muito tempo até que o grupo estivesse perante um público conhecedor. O segundo LP – até pela capa – marcou essa era. Decidido a aproveitar as vantagens do estúdio de gravação, em vez de tentar replicar o seu espectáculo ao vivo, Again é também o resultado do combate entre vincadas personalidades: a tendência para o rock mais pesado do beligerante Stills contra as melodias mais etéreas do passivo-agressivo Young, com Furay a temperar tudo com uma propensão country. E se na vida real a tensão acabou por separá-los, na música os estilos divergentes complementavam-se na perfeição. Apesar de começar com uma versão inspirada na guitarra de “(I Can´t Get No) Satisfaction”, a principal qualidade de Again é a de se distanciar do som britânico – é profundamente americano e consegue ir até ao blues por um caminho distinto. No fim ainda serve de oráculo – “Rock’n’Roll Woman” cita como inspiração David Crosby, anunciando os CSN, “A Child’s Claim To Fame” antecipa o que Furay faria com os Poco, enquanto “Broken Arrow” pressagia o mais alucinatório da carreira de Young.
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