Claro que estádios já tinham sido utilizados para concertos e festivais de rock. Mas quando aqui se fala em rock de estádio, discute-se um tipo de música produzido com um certo tipo de dimensão em mente – para tudo preencher até à medula e de tão espesso alterar composições celulares. Esse é o som dos Boston (depois capitalizado nos Foreigner, Styx, REO Speedwagon, Journey, e por agora apenas igualado no Peter Frampton de Comes Alive! ou nos Bachman-Turner Overdrive de Not Fragile). Não tem tanto a ver com estar-se apertado entre milhares de pessoas para vislumbrar umas figuras minúsculas ao longe, como com ter a experiência extracorpórea da música. Tom Scholz cresceu como um daqueles miúdos que gostam de desmontar tudo para ver como funciona, por isso não é de espantar que tenha dado tanta importância à tecnologia. O som dos Boston depende intimamente da sua visão. Scholz não só criava as gravações de várias pistas responsáveis pelo espaçoso e denso som do grupo, como concebia o seu próprio equipamento de estúdio. Hinos como “More Than A Feeling”, “Long Time” e “Peace of Mind” não são só resultado de um grau académico no MIT (que Scholztinha); a guitarra de Barry Goudreau e a voz de Brad Delp (falecido em 2007) eram os outros vértices. Se o sucesso tem por hábito destruir os grupos, o que dizer do álbum de estreia mais vendido da História do rock? O perfeccionismo de Scholz fechou-o no estúdio durante anos para jamais ultrapassar a sua obra-prima. Bon Jovi, Def Leppard, Guns’N’Roses ou Metallica, aproveitaram.
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