Nada nas cartas o faria prever. Nem seria legítimo esperar que sucessores de Van Halen ou Kiss os viessem a bater no seu próprio terreno. Mas mais de 25 milhões de pessoas provaram que sobre o gosto dos outros temos todos um pouco a aprender. Além de que pode não parecer, mas os Bon Jovi fizeram muito pelo feminismo – e esse foi o seu maior trunfo. Graças a Jon Bon Jovi, passaram a haver nos estádios mais mulheres do que homens, raparigas tocavam air drums e air guitar tão bem como os irmãos e namorados (e a ter permanentes tão boas como as dos membros da banda) e uma nova geração de fanáticas do rock iria num salto chegar às L7 e Hole. Slippery When Wet foi nada mais nada menos que um grito de revolta para as adolescentes que não se conformavam com Miami Sound Machine ou Bananarama. A crítica perseguiu-os – quando era claro que os verdadeiros malfeitores do período seriam Chris de Burgh ou Jean Michel Jarre – e, entre a aeróbica de um David Lee Roth e a paralisia facial de Springsteen, foram condenados a uma vida de digressão interminável, até se tornarem pouco mais do que caricaturas de si próprios. Resta relembrar os singles aos descrentes:
“Never Say Goodbye”, “You Give Love A Bad Name”, “Livin’ On A Prayer” e “Wanted Dead Or Alive”. Quem diz que o sucesso se deveu mais à figura do vocalista do que a méritos musicais, nunca se imaginou a repetir estas palavras perante uma plateia cheia: “I’ve seen a million faces and I rocked them all”. E, portanto, não percebeu nada do que para muitos foi o essencial da década.
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