Depois da sua aparição no festival de Monterey, no Verão de 67, milhares aguardavam com antecipação o primeiro vinil dos Big Brother And The Holding Company com a sua nova vocalista, Janis Joplin. Quem lá esteve fez mais publicidade pelo grupo do que qualquer editora: aqui estava uma rapariga que contrariava todas as expectativas para uma cantora branca. Gritava e bebia quase tanto quanto Bessie Smith; não precisava de amplificação; quem para si olhasse ficaria surpreendido pela confiança de alguém tão longe dos padrões de beleza virginal da época; e pelo seu guarda-roupa, cabelo despenteado e pés descalços, não parecia minimamente preocupada com nada excepto o exorcismo pessoal do canto. A texana tinha passado uns anos antes por São Francisco, onde até gravou uns temas com Jorma Kaukonen, futuro guitarrista dos Jefferson Airplane. De volta ao Estado natal, considerou juntar-se aos psicadélicos 13th Floor Elevators, mas era em São Francisco que tudo acontecia. A banda já existia numa vertente próxima do folk e blues, antes de se ligar à corrente ao mesmo tempo que outros na cidade. Para Joplin tudo bem. Cheap Thrills é o registo do ritual de passagem de um mundo acústico para o eléctrico – capturando e amplificando a energia primitiva do espectáculo – e subiu pelas tabelas acima. A versão dos irmãos Gershwin surpreendeu meio mundo. A de Big Mama Thornton nem por isso. A capa de Robert Crumb ajudou a transformá-lo num ícone da época.
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