Quatro convertidos à religião Rastafari cheios de fúria – se a popularidade se decidisse à custa de contradições, os Bad Brains podiam ter sido a banda mais famosa de 1982. Mas o hardcore de Washington D.C., embora fosse um dos movimentos mais importantes da música independente americana dos anos 80, não tinha propriamente o apelo popular de um “Come On Eileen”, então a tocar em absurda rotação pelas rádios de todo o mundo ocidental. Os Bad Brains começaram a vida como um grupo de fusão, mais inspirado nos Prime Time de Ornette Coleman do que nos Crusaders, entenda-se. É dificil imaginar hoje um concerto dos Bad Brains em finais da década de 70, mas quem não gostava de poder viajar no tempo? Quatro negros de rastas aos saltos pelo palco, assaltando um público de skineads suburbanos e algum fã de roots reggae ido ao engano, com uma explosiva combinação de funk—metal intensamente reverberante em linhas de baixo evocadoras do dub mais psicótico a sul de
Bill Laswell. Não é de admirar que cedo despertassem a atenção da ROIR e não deixa de ser sintomático que nesse mesmo ano tenham sido incluídos na compilação New York Trash, hoje
mais famosa por incluir as primeiras gravações dos Beastie Boys. Entre incentivos a Henry
Rollins, gravações com Rick Ocasek e um progressivo amadurecer estilístico que culminou,
em 1986, em I Against I, é aos Bad Brains que se deve muito do que de mais diverso produziram No Doubt, Fishbone, Red Hot Chili Peppers ou Faith No More, ou, não menos importante, a revalidação do hardcore enquanto música para todos.
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