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Wincing The Night Away

512
Artista
Editora
Popstock
Ano de Lançamento
2007
Optimus Aprovado?
-

Há várias formas de entrar no mundo cândido dos norte-americanos Shins. A primeira é, evidentemente, ter mente aberta para ver traduzidas canções de matriz clássica (numa linhagem que vais dos Beatles aos Smiths) em emoções portáteis, apontamentos simples e pessoais capazes de atravessar o muro imponente entre emissor e receptor. A segunda é, resumindo a questão, manter o coração a bater e deixá-lo fazer o seu trabalho.
Dito assim, parece que despachamos uma das mais singulares bandas reveladas esta década na Costa Oeste americana com o carimbo das coisas do corpo e da alma. Sem menosprezar uma das dualidades mais singulares da existência humana, há mais: nos Shins reside um encantamento que não pode ser só uma reacção fortuita; nasce da vontade de nos sujeitarmos à beleza estética sem esperar que ela nos bata à porta num domingo à tarde depois do almoço. Canções como «Girl Inform Me», «New Slang» (de Oh, Inverted World, 2001) ou «Kissing The Lipless» (de Chutes Too Narrow, 2003) não são apenas música para os ouvidos – fazem-nos desviar o olhar. E não há como não perder tempo com a beleza alheia que se pode tornar nossa sem as dores da conquista.
Exímios gestores de luminosidade musical (o epíteto «sunshine pop» foi feito para eles), os Shins lograram, ao terceiro álbum, juntar ao reconhecimento crítico (que nunca lhes faltou) um apreciável rol de compradores de discos – na primeira semana nas lojas, Wincing The Night Away vendeu quase 120 mil exemplares, elevando a discreta banda de Portland (no estado do Oregon) ao 2º lugar do Top da Billboard (feito inédito também para a editora Sub Pop, que lançou os Nirvana).
Inspirado pela insónia do vocalista James Mercer, o início do álbum dá-se com a algo letárgica «Sleeping Lessons». Mas não nos deixemos enganar: a canção que se segue, «Australia», é pop gingona como já não se usa, guitarras «jangle» em trinado juvenil e voz aveludada, capaz de cantar a biografia de Carolina Salgado como a mesma parcimónia com que se embala um infante acabado de adormecer. Em «Phantom Limb» e «Turn On Me» encontramos protótipos actualizados da pop impoluta, sombra e Sol em equilíbrio perfeito. «Sea Legs», mais extravagante, sopra aragens tropicais entre ritmos entrecortados. Wincing The Night Away, sendo um álbum de canções passíveis de serem isoladas para audição «iPódica», é para se ouvir de empreitada. Devolve-nos o tempo em que o fi nal de uma canção antecipa, intuitivamente, o começo da seguinte. Faz bem à saúde.

  • 1 - Sleeping Lessons
  • 2 - Australia
  • 3 - Pam Berry
  • 4 - Phantom Limb
  • 5 - Sea Legs
  • 6 - Red Rabbits
  • 7 - Turn on Me
  • 8 - Black Wave
  • 9 - Spilt Needles
  • 10 - Girl Sailor
  • 11 - A Comet Appears
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