Mas não será hoje tão conhecida quanto aqueles que ajudou a tornar famosos. Interpretou Richard Fariña, Randy Newman e Donovan quando poucos o faziam e já em 63 cantava “Turn! Turn! Turn!” segundo um primeiro arranjo de Roger McGuinn. Começou a carreira discográfica aos 22 anos, em 61, imersa num cancioneiro tradicional derivado de Woody Guthrie e Pete Seeger – e o título da estreia, Maid Of Constant Sorrow, sintetiza na perfeição o seu tom até meados da década. Mas começou a escolher para novos álbuns canções de Bob Dylan ou Phil Ochs. Até que, aqui, atinge o sucesso com a versão de “Both Sides Now”, de Joni Mitchell. Tinha um dom excepcional para reconhecer talentosos escritores de canções: e Wildflowers inclui três temas de Leonard Cohen. Mas a novidade era compor originais, e “Since You Asked” é a mais conseguida prova do seu talento. A voz cristalina de Collins interpreta ainda uma canção do século XIV, em italiano, e o “La Chanson Des Vieux Amants”, de Jacques Brel, em francês. O culminar de uma tendência preguiçosamente baptizada como pop-barroco, Wildflowers não acusa a idade. Há algo de cinematográfico nos arranjos de cordas, flautas sonhadoras e espinetas de câmara – e na própria Collins, que veio a inspirar dois temas de Stephen Stills: “Bluebird” e “Suite: Judy Blue Eyes”. E não será elogio de somenos afirmar que Wildflowers parece um documentário perdido sobre os anos 60.
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