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White Chalk

517
Artista
Editora
Universal
Ano de Lançamento
2007
Optimus Aprovado?
-

Será porventura white chalk um dos mais desconcertantes discos com data de 2007. Mas não apenas por ser perturbador na sua tristeza, incómodo no seu lado escuro, sobranceiro em descrições de culpas ou mágoas. Nem tão pouco por ser um conjunto de canções confrangedoramente tristes. Tudo isto, de facto, desconcerta – mas a sua autora consegue ir ainda mais além.
PJ Harvey é um animal raro – consegue usar vestidos muito curtos sem parecer vulgar, gritar sem ser estridente, contar as mais lastimosas narrativas sem um pingo de auto-comiseração. E consegue transpirar uma sexualidade que a torna de uma beleza – como
a sua música – invulgar. É uma líder – daí o hábito de encará-la na linha da frente, pose de rockeira sensual, guitarra enorme e figura franzina. Cabelo escuro e lábios visíveis. E é precisamente em todos os pontos até aqui explanados que Polly Jean faz do seu oitavo álbum uma surpresa perfeita. A menina-mulher (des)cobre-se numa nova personalidade – substitui a guitarra e os vestidos lascivos, senta-se ao piano e apaga qualquer sintoma de maquilhagem.
Aos primeiros momentos de «The Devil» percebe-se que, muito mais do que a fúria destemida do passado, aqui PJ Harvey vai cantar ao âmago do que é ser humano – as emoções que (sobre)carregam. E fá-lo quer em registo pueril e desarmantemente simples, como em «Dear Darkness», como em crescendo sincopado, em «Silence». White Chalk não é um disco imediato – mas é um punhado de canções únicas. Aqui
PJ Harvey é, mais do que em qualquer momento do passado, o centro do mundo. Ou o próprio mundo.
Aqui, pode dispensar quaisquer outros instrumentos – e é disso mesmo prova as passagens a capella, como em «Broken Harp». Onde outrora a sua música exigia o seu lado mais físico e voraz, em 2007 PJ Harvey vagueia pelas suas canções como se fossem elas a embalá-la e a mostrar-lhe novos caminhos, ao invés de serem por ela comandadas. Imponente, altivo, White Chalk é um álbum, acima de tudo e antes de mais, que comove. É sobranceiramente triste – mas consegue a suprema prova final: a sua tristeza latente dá origem a uma redentora alegria. Oiça-se «Before Departure» e tirem-se todas as dúvidas. Uma surpresa agradável – mesmo para quem odeie surpresas.

  • 1 - The Devil
  • 2 - Dear Darkness
  • 3 - Grow Grow Grow
  • 4 - When Under Ether
  • 5 - White Chalk
  • 6 - Broken Harp
  • 7 - Silence
  • 8 - To Talk To You
  • 9 - The Piano
  • 10 - Before Departure
  • 11 - The Mountain
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