Conseguir as melhores notas de uma carreira académica logo no primeiro ano de faculdade é um pouco deprimente – por coincidência resume a carreira dos Violent Femmes. Ou talvez não. Antes de o estereótipo do cantor e escritor de canções deprimido ganhar novo fôlego em Kurt Cobain, existiu Gordon Gano. E num mundo pré-Pixies ou R.E.M., todos os bares que quisessem angariar clientela intelectual e artística tinham de passar “Blister In The Sun” pelo menos uma vez por noite. Aliás, tão ubíqua foi a sua presença que muitos reconhecem a canção sem perceber quem a cantava. A carreira discográfica dos Violent Femmes começou por sorte, carregados em braços até à Slash por James Honeyma-Scott e Chyssie Hynde, dos Pretenders. Com o estilo de quem tinha ouvido falar do punk mas só tinha dinheiro para uma guitarra acústica, entraram em estúdio com a mesma descontracção com que uma ginasta de 12 anos pisa o tapete nos Jogos Olímpicos – a medalha receberam-na uma década mais tarde, quando o álbum chegou finalmente à platina. Então, à boleia da obsessão da MTV com o formato unplugged e o sucesso do single “American Music”, sugeriam a maturação do adolescente inconformado quer com os valores da cultura popular quer com a sua direcção dominante. Parecia uma resposta à altura, mas era um novo paradigma que começava por chegar tarde logo para si próprio. É um pouco cruel, mas convirá relembrar um tempo em que, à sombra de Jonathan Richman, e com frases como “I’m so lonely, feel like I’m gonna crawl away and die”, também Gano tinha mais em que pensar.
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