Harper é uma estranha personagem e, na sua juventude, muitos (de engenheiros de som a
músicos) preferiam mantê-lo ao longe. Juntou-se ao exército britânico com 15 anos para logo
conseguir ser exonerado por insanidade. Foi preso e transferido para hospitais psiquiátricos. Como disse ao Melody Maker em 67: “I’m a person who was stolen by me from the state and given back to myself.” Loucura misturada com excepcional lucidez, poética megalomania e miasmática dislexia, num corpo de trabalho que oscilou entre o frequentemente perfeito e o perfeitamente redundante. Valentine, lançado no dia dos namorados de 74, apanha-o num daqueles momentos radiantes, como só têm os que a maior parte do tempo preferem ficar de costas voltadas para o mundo. Circulando nos meios folk pela década de 60, era uma espécie de variação idiossincrática de um Donovan, próximo da mesma extravagância de um Syd Barrett ou dos desvarios estilísticos dos Pentangle. Com o início dos anos 70, veio a aproximação aos Pink Floyd ou aos Led Zeppelin, em temas mais longos e de tendências sinfónicas. Aproximando-se de um Paul Simon mais misantropo, mas tentando
recuperar o essencial do seu cânone, prova que às vezes compensa não nos rendermos aos
demónios interiores. Entre a guitarra de Jimmy Page (que no terceiro álbum dos Zeppelin lhe
dedicou “Hats Off To Harper”,) e as orquestrações de David Bedford, encontra-se um acústico
épico de clareza emocional só igualada por Neil Young ou Nick Drake.
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