Núcleos de exploração tonal contrariados por explosões rítmicas; complexidade harmónica envolvida numa distensão de tempos; funk cerebral; submissão melódica a dissonantes acordes; dependência orquestral ao mais primitivo acento tónico; jazz psicadélico de colagens e obediência ao demónio da electricidade. É verdade para Miles, havia sido assim com Jimi Hendrix e, forçosamente, era tudo isto o que os Soft Machine iriam reconduzir a bom porto. Numa direcção diferente da dos King Crimson, os Soft Machine marcaram outro começo para o rock progressivo. Assente em improvisações, em texturas e solos, os temas de Third são densos, compactos, por vezes simultaneamente claustrofóbicos e hipnóticos. Robert Wyatt canta apenas em “Moon To
June”. Como fazia Teo Macero com Miles, o estúdio é um instrumento em si mesmo: loops de fita magnética, mistura de sons pré-gravados com execução em tempo real, montagens dadaístas. O génio de Mike Ratledge ouve-se em “Slightly All The Time” e “Out-Bloody-Rageous”, e o órgão e o piano são a espinha dorsal de temas a rondar os 19 minutos. Mas Third expande-se ainda para lá do baixo de Hugh Hopper, numa secção de sopros liderada por Elton Dean que antecipava uma exploração do free jazz concluída em Fourth. Será redutor relembrar que sem Soft Machine o post-rock dos anos 90 que todos aprenderam a odiar não teria sido o mesmo?
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