Isto, se pela expressão se entender uma mistura de sátira, excentricidade e humor, construída com a elegância e atenção ao pormenor de um alfaiate de Saville Row e a loucura de um chapeleiro.
Com Ian Anderson como o líder nunca declarado do grupo, a imagem meio homem das cavernas meio flautista de Hamelin era suficiente
para tornar claro que se podiam arrumar no mesmo saco crítico que outros nomes do rock progressivo, como os King Crimson e os Yes. Mas era óbvio que vinham antes de um planeta em que solos de flauta de mais de dez minutos eram a norma. Thick As A Brick é uma resposta à
imprensa musical, que havia arrasado o conceptualmente religioso Aqualung. O novo LP consistia de um tema apenas, interrompido pela então inevitável mudança de lado do vinil – uma longa improvisação sinfónica de jazz, blues, folk e rock, com a flauta e violino de Anderson, o órgão e cravo de John Evan e o alaúde de Martin Barre relembrando que limitações de género eram algo incompreensíveis numa banda que interrompia a sua própria música em palco com chamadas telefónicas, boletins informativos fictícios e com pessoas vestidas de coelho, chimpanzé ou homem-rã aparecendo entre o público e músicos. O jornal St Cleve Chronicle, que faz a capa do disco, foi todo ele (12 páginas) escrito por Anderson, Evan e pelo baixista, Jeffrey Hammond. O autor das letras, o menino de oito anos Gerald Bostock, continua de boa saúde e juntou-se ao circo voador.
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