Como dizia a pequena Carol Anne nesse ano: “They’re here!” Mal gritaram “Bela Lugosi’s
Dead”, os Bauhaus tornaram-se no porta-estandarte de um género que já se tornou mais bizarro que qualquer visionamento do Poltergeist. Com outras bandas britânicas do pós-punk, partilhavam de um fascínio pelo modernismo alemão – daí a utilização do nome da escola de arte e arquitectura da República de Weimar. Mas, como uma banda glam dedicada a uma escala de cinzentos, parecem mais filhos do expressionismo. Se os Doors e os Pink Floyd, referidos como inspiração, exploravam as fronteiras da mente humana, os Bauhaus parecem mais interessados em observar a última paragem com a distância científica de um psiquiatra (em frases como “his wrist on the razor slides”) ou de um médico-legal (na epidérmica caracterização: “now browning, sinking, dying”). Do outro lado, como convém a teutómanos assumidos, encontram o nada – o que até lhes traz alguma paz de espírito. Desespero
romântico, morbidez poética, introspecção lamurienta e domínio formal do pós-punk envolvidos em mais diversidade estética e humor do que muitos reconheceram, criaram em dois álbuns os alicerces do gótico. Em The Sky’s Gone Out, Daniel Ash assina pastorais elegias à guitarra acústica, David J. coloca o seu baixo a murmurar, Kevin Haskins mantém um ritmo marcial e Peter Murphy canta como um Iggy Pop com gosto por sangue. No encenado melodrama, fizeram uma versão de Ed Wood de si mesmos e ninguém ligou. Acabaram por servir de porto de abrigo para heliófobos de várias gerações.
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