A EMI decidiu assinar contrato com uma adolescente que chegava por recomendação de David
Gilmour. Mas em vez de a promover instantaneamente como tábua de salvação da Indústria, permitiu-lhe continuar os estudos e demorar três anos até pasmar o mundo com “Wuthering
Heights”. Inspirada por literatura, cinema e dança, Kate Bush surgia tão sensual quanto erudita, disposta a utilizar a música como uma exploração interior. The Dreaming prova-o. Tomando conta da produção, explora as possibilidades tecnológicas de novos sintetizadores polifónicos e demais parafernália em estúdio até expor por camadas, tema a tema, ideias musicais a tender para uma abstracção e simbolismo alheios à agenda pop. Talvez por isso tenha surpreendido muita gente e seja hoje relembrado como um momento de transição entre “Babooshka” e “Running Up That Hill” – muito pelo contrário, é um intenso, uterino e revelador processo autoral, muito mais Agatha Christie do que Emily Brontë. Como exemplo, o tema que fecha o álbum: “Get Out Of My House”, evocador de um violento ambiente que muitos interpretaram como metáfora para uma narrativa de violação, embora a própria tenha confessado inspiração em The Shinning. O primeiro single, “Sat In Your Lap”, é no entanto o mais pessoal: retrata inseguranças face ao trajecto artístico e, simultaneamente, descreve o início da vida adulta de muitos: “I want to be a lawyer, I want to be a scholar, but I really can’t be bothered, just gimme it quick, gimme it.”
Fulltrack
TrueTone
Polifónico
Imagens
Vídeos
Para comentar este álbum é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.